Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos encosta-te a mim, talvez eu esteja a exagerar encosta-te a mim, dá cabo dos teus desenganos não queiras ver quem eu não sou, deixa-me chegar.
Chegado da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver em nome da terra, no fundo p´ra te merecer recebe-me bem, não desencantes os meus passos faz de mim o teu herói, não quero adormecer.
Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo o que não vivi, hei-de inventar contigo sei que não sei, às vezes entender o teu olhar mas quero-te bem, encosta-te a mim.
Encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal recebe esta pomba que não está armadilhada foi comprada, foi roubada, seja como for.
Eu venho do nada porque arrasei o que não quis em nome da estrada onde só quero ser feliz enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.
Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo sei que não sei, às vezes entender o teu olhar mas quero-te bem, encosta-te a mim.
JORGE PALMA
(Há canções que nos tocam assim. Parecem chegar a todos os cantos da nossa vida inteira. São todos os momentos que voltam numa emoção que nos cola, por dentro, ás memórias escondidas que vamos guardando do que já vivemos, já sentimos, já rimos e chorámos. Afinal, é bom poder dizer e ouvir "encosta-te a mim").
Atentem nas palavras, porque há quem nos ensine tudo assim: "eu venho do nada porque arrasei o que não quis em nome da estrada onde só quero ser feliz"...